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Storytelling: o que é e porque é tão poderoso
26 Fev 2020

Quando lemos a expressão storytelling parece algo bastante simples. Traduzimos a expressão à letra, assumimos que se baseia no “simples” ato de contar uma história e agarramos na caneta, prontos para escrever um romance, e a pensar “isto vai ser canja”. A questão é: o storytelling não se resume a isto. Contar uma história todos contam, mas contar uma história apelativa e que capte a atenção de qualquer pessoa exige planeamento, prática, ambição e, acima de tudo, criatividade.

 

O que é o storytelling?

 

Storytelling consiste em transformar os factos numa narrativa que comunique algo para o seu público-alvo. Para as empresas, comunicar os seus valores e tudo aquilo que defendem através de uma história permite criar um sentido de comunidade entre si e a sua audiência, ao estimular a imaginação e a emoção. É esta história que vai estabelecer uma ponte de ligação entre os seus consumidores/clientes e a sua marca, tornando a sua relação mais próxima, emocional e humana.

 

Ao contar a história da sua marca continua a divulgá-la, apenas de uma forma mais relevante para o seu público-alvo e que, por consequência, o levam a identificar-se e a interagir mais consigo. Desta forma consegue vender mais, sem ter que pedir diretamente aos consumidores/clientes que comprem os seus produtos. Através do storytelling, a sua estratégia de marketing simplificará todo o seu trabalho e a comunicação da sua marca falará por si só.

 

Apesar de termos mil e uma possibilidades de histórias que podemos criar, existem características que devem ser comuns a todas as narrativas, que fazem com que o resultado seja coerente e apelativo. Em primeiro lugar, todas as histórias têm que ter personagens, um ambiente, um conflito, uma mensagem e uma resolução.

 

1. Personagens: cada história tem pelo menos uma personagem e é esta que vai criar a ponte entre a audiência, a mensagem e a marca. Criar personagens coerentes e humanas é crucial para que a audiência sinta vontade de se colocar no lugar desta e de querer seguir todos os seus passos, ficando presos à narrativa.

 

2. Ambiente: todas as histórias têm que decorrer num determinado espaço e num determinado período temporal. A descrição de ambos estes elementos facilita a compreensão da audiência e prende a sua atenção mais facilmente.

 

3. Mensagem: a ideia-chave de cada história é o que vai marcar a audiência. Mesmo que a forma como transmite essa ideia seja fraca e menos apelativa, se o seu discurso for realmente impactante as pessoas vão lembrar-se de si e da sua marca a longo-prazo.

 

4. Conflito: o conflito consiste no desafio que a personagem terá que ultrapassar e que a motiva ao longo de toda o seu percurso. O ultrapassar deste conflito é o que prende a audiência à sua história, por isso, deve ser elaborado e de difícil superação. Só assim conseguirá despertar mil e uma emoções em cada pessoa e conectá-la à marca.

 

5. Resolução: todas as histórias têm uma resolução, sendo que esta deve contextualizar toda a mensagem, personagens e conflito e deve terminar com uma call-to-action.

 

Adicionalmente, todas têm também que relatar acontecimentos que possuam um princípio, meio e fim. É a conjugação entre estes elementos que lhe permitirá destacar-se de toda a informação com que somos bombardeados 24 horas por dia, 7 dias por semana. Mesmo que o tema que aborde já esteja saturado, se souber contá-lo através de uma boa história (personalizada por si), então terá a atenção do seu público-alvo.

 

 

Porquê storytelling?

 

Se já ficou convencido a apostar no storytelling, continue a ler porque temos mais 3 razões que o vão fazer correr para a secretária e agarrar na caneta e no papel. Em suma, o que queremos mostrar-lhe é o porquê de as marcas contarem histórias, em vez de basearem o seu discurso em números ou criarem powerpoints com informação listada por pontos.

 

  • As histórias simplificam

Muito provavelmente já se deparou com um determinado assunto que, por mais informação que lesse, não conseguia entender. Até que, finalmente, encontra aquele artigo “caído do céu” que lhe explica o mesmo conceito, mas através de uma história. Este é um dos grandes poderes das histórias: para além de simplificarem a mensagem, ajudam ainda a solidificar conceitos mais abstratos. O “segredo” é conseguir pegar num assunto que seja, de certa forma, ambíguo e narrá-lo através de ideias concretas e com as quais a audiência esteja familiarizada.

 

  • As histórias unem as pessoas

Não é novidade que o marketing está profundamente interligado com a psicologia humana. Também não é novidade que faz parte do comportamento humano as pessoas sentirem sempre a necessidade de fazer parte de algo, seja de uma turma, de um clube de futebol ou de uma família. De uma forma simples, o ser humano precisa de fazer parte de um grupo para que se sinta integrado na sociedade.

 

Através do storytelling, as marcas conseguem criar histórias que, por sua vez, criam conexões com o seu público-alvo, surgindo então um grupo formado por marca e clientes. Fazer parte deste grupo faz com que esses clientes sintam que fazem parte da marca, levando-os a envolverem-se com esta num nível muito mais profundo. Este fator ganha ainda mais relevância quando percebemos que os consumidores já não compram produtos, mas sim experiências. Faça os seus clientes acreditarem que estão a comprar um sentimento ou uma forma de estar na vida, em vez de um simples produto.

 

  • As histórias seduzem e emocionam

Derivado de tudo o que vimos acima, se uma história for realmente boa, esta vai seduzir e criar uma ligação profundamente emocional com a audiência. E é este o ponto-chave do storytelling: saber usar as ideias certas, na ordem certa e no contexto certo, para atingir o público-alvo de tal forma que este passará a olhar para a sua marca como a sua melhor amiga. E isto é pura fidelidade à marca.

 

 

Como é o processo de storytelling?

 

Um dos aspetos mais importantes a ter em conta no processo de storytelling é que a sua história tem que ser sempre coerente e adaptada aos canais de comunicação que selecionou. Se não sabe por onde começar, nós ajudamos.

 

1. Descodifique o seu público-alvo

 

Tal como em todos os processos de definição de estratégia de marketing, um dos primeiros passos é sempre conhecer as pessoas que queremos impactar. Realize um estudo de mercado e projete a sua buyer persona, e vai conseguir não só entender quem quer ouvir a sua história, mas também quais os passos a dar na criação dessa mesma história.

 

2. Defina a sua personagem e crie uma mensagem principal forte

 

A partir das informações que recolheu do seu público-alvo conseguirá agora projetar a(s) personagem(s) da sua história, sendo que esta deve ser o mais semelhante possível a esse público, para que surja um maior sentimento de identificação. Por sua vez, a sua mensagem principal também deve favorecer esse mesmo sentimento de identificação, assim como, se deve destacar pela sua coerência.

 

3. Estabeleça o tipo de narrativa que quer contar

 

Para definir o seu tipo de narrativa tem que começar por definir os seus objetivos. De que forma quer que a audiência reaja à sua história? Que sentimentos quer despertar nesta? Assim, consoante o objetivo existem diferentes tipos de histórias possíveis de serem criadas, nunca esquecendo a necessidade de desenvolver uma ligação emocional forte com a audiência.

 

4. Envolva o público-alvo na sua história

 

Conseguir envolver o público-alvo na sua história não é tarefa fácil. Como tal, quaisquer que sejam as suas ideias para realizar esta missão use e abuse delas. Uma boa forma de o fazer poderá passar por introduzir testemunhos dos seus clientes, através de vídeo ou fotografia.

 

5. Defina os seus canais de comunicação

 

Com o vídeo a ganhar cada vez mais terreno no marketing digital torna-se crucial dar maior atenção aos canais visuais através dos quais transmitirá a sua história. Trabalhe a sua criatividade e produza conteúdo que leve a audiência a interagir com a sua marca.

 

6. Estabeleça a sua call-to-action

 

A sua call-to-action vai determinar qual a ação que pretende que o seu público-alvo desempenha depois de conhecer a sua história. Como tal, em função do seu principal objetivo (definido inicialmente), deve também definir um apelo que acompanhe a sua mensagem e que leve as pessoas a fazerem algo com a sua marca (comprar os seus produtos, subscrever o seu canal de Youtube, segui-lo nas redes sociais, etc.).

 

Apesar de estes passos serem importantes ao longo do processo de storytelling, a chave é, mais uma vez, o conteúdo. No futuro, os líderes das grandes empresas preveem que esta importância se irá intensificar, com as narrativas a roubarem o lugar ao tradicional discurso de vendas. Por sua vez, o papel do digital neste processo será cada vez mais relevante, tornando-se prioridade face aos meios tradicionais.