NOTÍCIAS

/ NOTÍCIAS

Coronavírus: quem ganha e quem perde nesta batalha?
17 Mar 2020

Os efeitos do coronavírus (COVID-19) parecem não ter fim, assim como, a lista das indústrias que têm sofrido como consequência deste. Desde o turismo, à restauração e passando pela tecnologia, todas as pessoas, um pouco por todo o mundo, já sentiram direta ou indiretamente a influência deste vírus, que parece ter vindo para ficar.

 

No entanto, ainda existem empresas cujo impacto do COVID-19 veio a tornar-se positivo, levando a um aumento das vendas dos seus produtos ou serviços. O retalho alimentar e as plataformas de streaming são dois exemplos que iremos abordar mais detalhadamente. Mas comecemos pelos impactos negativos: quem são as empresas que têm sido vencidas pelo coronavírus?

 

1. Hershey’s

 

É do conhecimento geral que o COVID-19 se propaga através do contacto humano. Seja por saliva, espirros ou pelo simples toque, as entidades de saúde pública desencorajam por completo toda e qualquer interação que resulte em contacto com o outro.

 

Assim, a Hershey’s foi das primeiras empresas a ver-se obrigada a realizar alterações à sua estratégia de publicidade, ao suspender os seus anúncios que promoviam o toque através de abraços e apertos de mão. No lugar destes surgiram spots publicitários alusivos aos produtos da marca, retirando-a de uma posição em que poderia tornar-se alvo de contestação por promover comportamentos desaconselhados nesta fase de sensibilidade para o COVID-19.

 

2. KFC

 

No seguimento das mesmas razões que levaram a Hershey’s a retirar os seus anúncios, também a KFC se viu obrigada a suspender a sua campanha Finger Lickin’ Good. Desta fazia parte um anúncio de televisão que encorajava as pessoas a lamberem os dedos enquanto comem nos restaurantes KFC. No Reino Unido, mais de 150 pessoas fizeram queixa por a empresa estar a promover atos que vão contra as recomendações mundiais de saúde pública para o combate ao COVID-19, destacando-se, de todas essas recomendações, a frequente lavagem das mãos. A KFC considerou que o mais sensato seria suspender a divulgação, no entanto, o porta-voz da empresa admitiu que esta poderá regressar mais tarde.

 

Retirado de Youtube - Ads of Brands

 

3. Apple

 

Não numa vertente publicitária, mas sim operacional, a Apple tem visto a produção de iPhones ser reduzida devido aos atrasos da sua fornecedora de lentes, a Genius Eletronic Optical, que está sediada no Taiwan, um dos países afetados pelo coronavírus. Adicionalmente, a empresa anunciou encerrar todas as suas lojas fora da China até 27 de março, como uma tentativa de conter a disseminação do vírus. As lojas situadas na China já haviam sido encerradas quando este era o país com maior concentração de casos, sendo que estas têm vindo a ser reabertas gradualmente.

 

A Apple também realizou alterações à sua política de licenças, de forma a que haja uma maior abertura para os trabalhadores que necessitam de cuidar de familiares doentes ou que necessitam de ficar com os filhos em casa. É de sublinhar que a empresa já doou 15 milhões de dólares para a ajuda no combate a esta pandemia.

 

No meio de todas as complicações que o COVID-19 tem proporcionado às empresas, existe quem ainda consiga retirar vantagens da presente situação. Quem são as empresas que têm dado a volta ao vírus?

 

1. Purell

 

A marca Purell, do grupo Gojo, vende soluções para a saúde e higiene da pele e das quais se destaca o desinfetante de mãos. Não apenas a Purell, mas todas as marcas desta indústria lideram, neste momento, o top de produtos mais vendidos. Destacam-se também as marcas que vendem máscaras respiratórias e papel higiénico.

 

2. Netflix

 

Face às medidas de isolamento social decretadas pelos vários governos espalhados por todo o mundo - como em Portugal -, as pessoas têm passado praticamente todo o seu tempo em casa. Apesar de uma grande maioria continuar a trabalhar (em teletrabalho), com o encerramento das escolas, as crianças e jovens passam grande parte do dia a assistir a filmes e séries em plataformas de streaming, como na Netflix.

 

É esperado que a empresa atinja os 510 mil subscritores nos Estados Unidos e Canadá e os 7 milhões de subscritores internacionais. Por outro lado, a empresa suspendeu a produção de séries e filmes cujas gravações decorrem nos Estados Unidos e no Canadá, com destaque para a série Stranger Things, uma das mais aclamadas da plataforma.

 

3. Uber Eats

 

Pelas mesmas razões que conduzem ao aumento do número de subscritores das plataformas de streaming, os serviços de entrega de alimentos ao domicílio também veem as suas vendas aumentar. Em janeiro, na China, houve um crescimento de 20% nos gastos com este tipo de serviços, segundo o NPD. O próprio CEO da Uber referiu que, enquanto os seus serviços de transporte iriam sofrer um declínio, os seus serviços de entregas beneficiariam.

 

Retirado de New In Setúbal

 

4. Continente

 

A cadeia de supermercados Continente é apenas um dos exemplos a que poderíamos recorrer para falar sobre o aumento exponencial das vendas no retalho alimentar. Desde o Lidl, Aldi, Pingo Doce e por aí fora, todos eles têm visto as suas lojas serem inundadas por centenas de pessoas todos os dias. A grande vantagem da cadeia Continente em relação às restantes está relacionada com o facto de possuir loja online, permitindo aos consumidores comprarem alimentos a partir de casa.

 

Felizmente já foram adotadas medidas que permitem controlar a corrida aos super e hipermercados. Alguns destes encerram as suas lojas às 19 horas (em vez das habituais 21 horas) e, em todos eles, existe um controlo do número de pessoas que entra de uma só vez em cada loja.

 

A vender mais, ou a vender menos, a grande conclusão que podemos retirar é que, nesta batalha, apenas existem derrotados, pois de uma forma ou de outra, todas as empresas são afetadas pela pandemia do coronavírus. Por muito dinheiro que empresas como a Netflix ou o Continente possam estar a faturar, existem sempre contrapartidas, como a suspensão da produção de filmes e séries ou o risco dos colaboradores serem afetados pelo vírus enquanto exercem as suas funções nas lojas da cadeia, respetivamente.

 

Assim, a Agência Flybizz lança o apelo: a todos os que têm a possibilidade de permanecer em casa, seja a trabalhar ou a tomar conta de familiares, façam-no. Esta é uma responsabilidade de todos nós e só respeitando as recomendações das entidades superiores iremos conseguir sair desta situação.